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19 de ago. de 2011

O Nada


Abro minhas asas
e me deixo cair
abandono os fardos
sinto o espírito fluir

O vento que me sopra os cabelos
é o mesmo que me corta a respiração
É o vento quem me dá liberdade
enquanto mergulho na escuridão.

Na queda a visão é turva
e é uma só - o nada.


Cheap song of a cheap love


* o poema abaixo foi encontrado em um diário meu de 3 invernos atrás. Optei por não revisá-lo e manter os erros originais porque respeito as minhas fases, por mais patéticas que elas tenham sido no passado.



The palid darkness surrounding
we both in a little breeze of lightstanding
Little by little we're one another killing
And, silently, the bleak rest of our love is dying

Just the tears and screams 'rounding'
All the hope, dreams and plans ending
No more blanks to fill and no feeling
it just had enough tears for crying

No breath for walking together
And no faith for hand in hand
The wishes... are just like wishes... as wishes are wishes
Dreams are for sleepers

Once upon a time there were dreams
That just the time (alone) vanishes
No more fears or aches, just the end, madams
Because no secret known by two exists.

8 de mai. de 2011
















Please tell me that the pain goes away
Tell it to me and tell me now
I feel like there's no medication to my aches
and no chemicals could cure me from you

Bring me poison, bring me a coma
something to hide me from loneliness
maybe drugs are not enough
to pretend a moment of happiness...



No fundo de mim achei teu cheiro
aquele doce que escondia teu amargo
o frescor que maquiava tua escuridão
Eu não esqueci dos restos do teu cheiro

Odores tem o poder de transportar a alma
e esse odor tão impregnado, já tão curtido
apesar do tempo minhas narinas não te abandonaram
E no meu corpo reverbera teu efeito

Rescindias a algo que a mim custava
- era o preço do meu rancor -
O mesmo que acordaste ao partir
o mesmo que não mataste ao sorrir.



30 de mar. de 2011

Foda-se o self

É na hora que tudo se desfaz
É na hora que se ferve
É na hora que mais me dói
É nessa hora que eu encontro
...o poço dentro de mim

A hora de assumir
A hora de encarar
A hora de reerguer
A hora de sobreviver me mostra
... o doloroso valor real

E é na hora do tombo
na hora de calar-se
na hora de auto consumir-se
É na hora de quase morrer
...o aperfeiçoamento do self.

28 de mar. de 2011

A face sem rosto

Tranquei meu coração numa caixa
E deixei a razão voar sorrateira
A frigidez é dor física, talvez
Pagamento pela minha auto-traição.

A solidão é auto-flagelo, companheira
A dor está lá, no coração guardada
Dentro da caixa, onde a tempestade reina
É na tempestade que meu ego se consome

Chaves são para devorar, e o estômago
... - se suicidou por auto-digestão - ...
o estômago levava morcegos pintados
Pra disfarçar, uma beleza artificial

Quando cai o pano, as máscaras se vão
E eu quebrei meu próprio rosto em cacos
na hora de desfazer meu personagem
Sou só face... nada resta.


9 de set. de 2010

diga nada



me diz sem os olhos teus
que vais embora de uma vez
que vais devolver o que me pertenceu
que vou novamente ser eu

me diz sem a tua voz
que essa porta já bateu
que essa página virou
porque meu coração já se cansou

me diz sem esse teu abraço
cala esse teu beijo
silencia esse calor

9 de jul. de 2010

O poema que nunca vais ler


Arranquei uma pétala do meu bem-me-quer
E foi só mal-me-quer o que aqui ficou
Quis o esquecimento dos que partem
Mas tive a lembrança dos que não dormem

Como se explica esse teu estar
Estando sempre estagnado em mim?
Esse teu bálsamo que embala e fere
e que só encontra encosto em mim

Sem querer, sem o querer, mas querendo
É luta interminável contra o mal querer
É luta indefensável contra o meu querer
A ti, que eu jamais vou admitir

2 de mai. de 2010




Os meus rastros foram tudo que restou
da trilha que percorri na floresta de ti
Enquanto teus olhos negros não cessam de fitar-me
Eu, por dentro, tremo e derreto inteira

Apesar do breu destes teus olhos tão escuros,
eu me ilumino inteira e me reacendo
bastou o toque do teu breu sorridente
para que eu reaja e me torne luminescente

O vento vai ser um divisor de águas
Águas, destinos e caminhos trilhados
O vento vai evanescer teus passos
e anestesiar o vazio que aqui fica

E a cada noite, mentalmente, recorro à lembrança
da floresta de ti em que muito já me perdi
Mas não me resta mais nada senão o sopro do teu olhar partindo
O último toque, cheiro... e a tua pegada que o vento vai apagar

27 de fev. de 2010

E os tempos de celebrar
pouco a pouco se acabaram
Os braços envoltos no ar
lentamente se separam

O que pensou-se ser eterno
em nada mais vale, sumiu 
O que foi desejo incerto
nem mais desejo é, se extiguiu

E a rebeldia que então nasce
nada diz, nada faz, não age
Nem mesmo o toque toleram
as mãos que agora se separam 



7 de jul. de 2009

mais um dos tantos "sem título"



circuito paralelo
caminho circular
só há a errônea ida
e a repetição infinita

toda a volta é seqüência semelhante
sem mudar um suspiro sequer
os sinais são renováveis
mas a condução é a mesma

não tem freio que pare
nem reparos aparentes
é só uma repetição de rota!
ah... mas que insólita repetição de rota...

10 de jun. de 2009

black eyes


these big black eyes
are cold little windows
taking into an incandescent soul

the light ain't over
but the big black eyes become enough
to light and shine all the way long

...even when they're shinning alone

7 de mai. de 2009

Pra sempre morta na tua ausência



Ainda por algum tempo digeri aquela estória
ainda digiro-a sem maiores razões
e sem culpar-me, ainda me trago dúvidas
e vou tragando, gole a gole a tua ausência


não era pra ter sido tão duradoura aquela dor
mas o que é latente não pára de pulsar
e este pulsar, que há muito me agarra,
eu sei que não vai jamais parar

apesar da não-volta iminente e certa,
eu sigo nesse jantar a digerir lentamente
aquela presença que decerto nunca foi minha
e que me faz sempre morta na tua ausência

não me importo mais com pormenores, é indolor
apenas deixo o tempo fluir por entre os dedos
porque o que é verdadeiro o tempo anestesia
e o que é sentimento o coração sempre tolera.

6 de mai. de 2009

nos temos a cada momento


Eu te tenho a cada parte minha espalhado
a cada centímetro que olho, pixelizado
na palavra, na digital, no meu livro, no meu vídeo
envolvente, envolvida, desenvolta, desencantada

por mais que a irresistência me rodeie
e mesmo que meu eu escape
me fazendo lembrar-te como que forçada
eu te tenho a cada parte minha espalhado

se a mim não há fuga nem perdão
de nada me adiantam vestes de personagem
a mim só basta deixar marcas profundas
tu me tens a cada parte tua espalhada

tu me tens a cada parte tua espalhada
no beijo que te sela a boca
no abraço que te aquieta
no calor que nos abrasa acalentados

meu cheiro no teu travesseiro,
o meu cabelo que te envenena
o olhar que te amedronta
tu/eu me/te tens/tenho a cada parte tua/minha espalhada/espalhado

5 de abr. de 2009

De saco cheio



aquele gloss empolado
que já não me abrilhanta mais
aquele rímel já enrijecido
que já não me mascara mais
a falsa porcelana envelhecida
que já não me convence mais

todas as palavras encadeadas
que já não me convém mais
aqueles livros enfileirados
que já não me esperam mais
o velho canudo amarelecido
...já penso [tudo] em nunca mais

e aquele [falso] fervor partindo
a [velha] boa energia esvaindo-se
a [má] vontade retirando-se
eu, [nada] animadora, apartando-me

18 de mar. de 2009

Tão




e aquele céu tão cinza quanto
aquela rua tão alagada quanto
aquele banco tão protegido quanto
... e um sorriso vertendo louco

uma doçura que nunca nasceu como
um sentimento que nunca brotou como
a verdade que não se constrói como
... e a miséria que pisca e gargalha

26 de ago. de 2008

Ego

sofro
grito
choro
conformo
saio
decaio
engulo
recomeço
choro
decaio
grito
engulo
conformo
sofro
escondo
recomeço
decaio
engulo
grito
sofro
choro
seco
conformo
recomeço
...

10 de ago. de 2008

Brisa profana



Aquele toque quente de brisa quase profana
que suspira, que arrepia, que liberta o grito
limpa e reorganiza qualquer canto (que outrora fora corrompido)
carregando temores consigo e lançando-os longe sem pudor.

Ao ápice alucinante, o contorcer das veias
e o repuxar do corpo que responde à brisa, já ventania
traz à mente um vazio trôpego tão desejado, enfim,
para a remissão do que julga e fere ardente

Ao abandono da quente brisa tão querida
resta a lembrança quase sensual do que se foi
amaina-se o terror do passado, renova o presente que se vive
e deseja-se o retorno das delícias remissoras...

8 de ago. de 2008

24/07/2008

Trabalho inacabado...


cometendo todos os pecados que estão ao meu alcance
sufoco em leito que me desampara
sabendo que não há um braço fiel que me espere
eu sigo esta rota insana sem foco que o valha.

a paisagem é a mesma
e esta lepra antiga
tudo em forma circular
sem mais novas novidades

Comentários sobre:

[Alison]
a la pucha! muito legal!!

30/07/2008 19:49

4 de ago. de 2008

28/10/2007

Rotina. Nada demais.

"... mas agora é troppo tarde, tudo já passou e minha vida não passa de um ontem não resolvido, bom isso. E idiota. E inútil." (Caio)




Domingo eu chorei de raiva
Segunda eu chorei
e terça também...
Sem razão aparente
e o choro termina
como termina um orgasmo
Mas o peso das lágrimas...
não há remédio que cure
as dores que foram transportadas
Penso que sou uma suicida
em potencial.
O mundo não é pra mim
menos ainda eu pra ele
mas eu me esforço
apesar de não ver retorno
estou cansada
do marasmo
a fuga é solução
pra tudo.

É vida demais pra mim
É insuportável.


(Debby)